Violência infantil: O meu nome é Angélica

O meu nome é Angélica, tenho 7 anos, e desde que me lembro nunca tive carinho, cá em casa vivo eu e o meu pai, a minha mãe morreu quando eu tinha 2 anos, pelos menos é o que o meu pai me contou, que ela se matou, eu acho que ele me culpa por isso, mas eu não me lembro ainda era muito pequena. Quando vou para a escola é como se fosse uma menina normal, onde me respeitam, deixam-me falar, onde posso brincar sem pensar no meu pai que me bate, chama-me nomes, diz palavrões, bebe e mexe no meu corpo. Não sei porquê, será por ser pequena? será por ser feia? será que eu tive mesmo culpa por a minha mãe morrer como ele diz? eu tento fazer tudo o que ele quer e obedecer-lhe, mas ele acaba sempre por me atirar contra a parede.


Hoje de manhã, quando o sol começou a brilhar na minha janela acordei, tinha ainda as lágrimas escorridas pela minha cara e a almofada molhada de tanto chorar a noite passada. Vesti-me peguei minha mochila e fui à cozinha, nem sinal do meu pai, será que ele não vai trabalhar? Abri o frigorífico, estava vazio, quer dizer só tinha cerveja, fui ao armário só restava pão, peguei um pouco mas estava duro, meti na minha mochila caso tivesse fome, e bebi um copo de água, fui ao quarto do meu pai, infelizmente ele acordou mal abri a porta, levantou-se e disse o que queres Angélica? Eu respondi nada pai, veio a cozinha pegou uma cerveja e sentou-se na mesa, olhando para mim, com aquele ar de nojo. Vou embora pai, disse eu, ele respondeu ate logo, quando chegares vê se preparas algo para o meu jantar, eu quis responder que não havia nada de comer em casa, mas ele antecipou-se e disse deixa estar eu trato disso, nunca fazes nada de jeito, quis logo chorar, mas respondi chau, virei costas e bati a porta. Passei o dia na escola, e ainda bem, pode comer na cantina, brincar com as minhas amigas, o que me fez esquecer os problemas, mas as 6 da tarde lá tive de voltar para o inferno. Quando cheguei a casa e abri a porta nem queria acreditar, estava la uma mulher que me assustei, era alta, cabelos pretos encaracolados, como os meus, bonita e elegante, muito bem vestida e cheirosa. Antes que eu pudesse falar ela dirigiu-se em minha direcção, abraçou-me e beijou-me meu rosto todo, depois parou guiou-me ate ao meu quarto sentou-me na cama e começou a falar. Angélica, tens de ouvir o que te vou dizer com muita atenção, ai nem acredito que finalmente te pude ver, eu sou tua mãe, e não não morri, como provavelmente o teu pai te contou, deu-me mais um beijo e continuou. Sabes eu e o teu pai depois de casar viemos viver para esta casa. Tudo era muito lindo, ate eu engravidar de ti, ele começou a ter ciumes de eu ir ao médico, começou a ter ciumes doentios em sentido, aos poucos começou a bater-me, ate que quando nasces-te ele sentia ciumes de ti, começou a beber, batia-me com mais frequência, e cada vez eu ficava mais marcada. Até que passou a ser diário, e certo dia prendeu-me a cama, nem me deixava tratar de ti. Por sorte um dia ele descuidou-se e deixou a porta destrancada, gritei tanto ate que uma mulher que ia a passar se apercebeu e veio soltar-me, nesses preciso instante ele voltou, tirou-te do meu colo, e fechou-te no teu quarto, pôs a senhora na rua, e bateu-me tanto tanto, desmaiei, fiquei inconsciente e com o rosto irreconhecível, completamente desfigurada. Ele pensou que me tinha matado, e chamou uma ambulância, pegou em ti e desapareceu, não sei por quanto tempo. Mas mãe, se isso é verdade porque não me vieste buscar? Porque não me levas contigo? Calma filha, respondeu ela, e continuou, depois de terem chamado a ambulância, entrei em coma, e quando acordei daí a uns meses preferi que ele pensasse que morri, e tive a tratar-me e a recompor o meu rosto estes 5 anos, preparei também tudo com o tribunal, recolhi provas que ele te batia e te dava maus tratos, arranjei uma casa para nós. E hoje vim te contar isto, e amanha vêm cá um advogado para te legar comigo. Mãe estou confusa com esta história, comecei a chorar, calma pequenina, tudo vai ficar bem, eu tenho medo, tenho muito medo dele. Querida agora tenho de ir ates que ele venha, amanha as 6 horas estou na porta da tua escola meu amor, deu me um beijo pôs-se de pé e disse eu não te vou abandonar mais, ate amanha. Continuei no meu quarto a pensar, estúpido é tão ordinário, afinal foi ele quem a tentou matar, e bate me a mim.

O relógio marcava 22 horas, quando cheia de fome, à espera do jantar que ele disse que trataria, adormeci. As 4 da manhã ouvi a porta a bater, ai ele chegou abri os olhos e voltei a fechar. A porta do meu quarto abriu-se, de repente ele tira os cobertores da minha cama, e começou a dar-me chapadas. Agarrou-me nos cabelos e disse com que então estas a pensar em fugir com a tua mãe, ordinária, és igual a ela. Não consegui gritar, só chorar, vais sofrer as consequências disso já sabes, gritou ele. Rasgou minha roupa apertou sua mão no meio das minhas pernas, tirou suas calças, deitou se em cima de mim agarrando me os braços e tapando-me boca, e senti alguma coisa a entrar no meu corpo, doía-me tanto, mais que alguma chapada, começou a meter e a tirar com muita força, fez isso vezes sem conta, desejei não ter nascido. Até que finalmente ele tirou de uma vez dentro de mim. O pior é que pôs seu "pipi" dentro da minha boca, fazendo o mesmo movimento, para fora e para dentro, e começou a sair um liquido branco, aquilo deu me vómitos, e ele gritou-me agarrando minha cabeça em direcção ao seu "pipi" engole, tudo sua vaca, estas a ouvir é para engolir. Eu não obedeci e tentei desviar-me, ele pegou em mim, atirou-me ao chão e começou a dar-me ponta-pés em tudo o corpo sem parar, cada vez mais forte.



O meu nome é Angélica e o meu pai nessa noite matou-me.


E depois de tanto que lutei para tentar tirar a minha filha aquele mostro, que nem merece ser chamado de pai, estava finalmente quase a conseguir o meu objectivo, tirar a Angélica de Portugal, leva-la para Londres onde ela possa viver em paz para receber uma educação e carinhos que uma criança tem direito. No dia seguinte, a minha ida à casa do meu ex-marido, contar a verdade à menina, tal como tinha prometido fui la busca-la a escola, as professoras disseram-me que ela tinha faltado, então fui a sua casa. Quando cheguei, achei estranho a porta esta entre-aberta, chamei ninguém respondeu, resolvi entrar, a casa estava numa desarrumação total, espontaneamente fui ao quarto dela, à medida que avançava meu coração batia mais forte, a porta estava aberta, a cama estava desfeita os lençóis no chão, as paredes e os lençóis estavam cheios de sangue, a roupa que a Angélica tinha vestido no dia anterior estava enrodilha-da nos lençóis. Comecei a chorar e sai a correr, quando estava saindo ouvi, espere minha senhora, era a vizinha que depressa me conheceu, Sara és tu? Sim dona Joana, diga-me por favor o que se passou com a minha filha. Tens de ter calma, respondeu a dona Joana, durante esta madrugada, parece que o Afonso lhe bateu, ea miúda foi parar ao hospital, ainda não sei mais nada dela. Interrompi logo, e para que hospital foi? Para o hospital da cidade, fui eu que chamei a ambulância. Voltei a perguntar, e o Afonso? Esse deixou a menina no estado que estava e fugiu. Nem acabei a conversa, fui directa ao hospital, perguntei por ela e perguntaram se eu era a mãe respondi que sim, disseram-me que tinham que falar comigo, informaram-me que a minha filha estava desnutrida, apresentava sinais bem visíveis de agressões anteriores, e de violação, fiquei perplexa, mas fiquei ainda pior quando soube que ela não tinha aguentado, faleceu.No seu funeral aquele animal, não apareceu, foi o melhor que fez se não não sei o que iria acontecer. Ele teve desaparecido muito tempo, mas eu não desisti de encontra-lo, e depois de 2 anos encontrei-o. Agora era um homem rico, mas antes de o surpreender, preparei-me para o reencontro, contratei uma pessoa para saber algo sobe sua nova vida e seus hábitos, e apenas em 3 meses estava pronta para enfrentar o monstro que destruiu minha vida. Combinei um encontro com ele num apartamento, ele pensava que era outra pessoa claro. Ele entrou eu tranquei a porta. Ele olhou para mim, não me conheceu, seduziu, levei-o para a cama, fiz com que se despisse, fui a casa de banho, sem ele se aperceber levei toda a sua roupa e pertences, e tranquei a casa de banho. Quando voltei estava na cama a minha espera, agarrou-me e disse estas a ser complicada, respondi-lhe achas? sim acho, não estou a ser tão complicada quanto tu tornas-te minha vida, e ao mesmo tempo que falei deitei me em cima do seu corpo, Ele sem perceber respondeu mas tu conheces-me de onde? Sara, não te diz nada? É impossível, gritou ele, do mesmo jeito que tu matas-te a minha filha animal, gritei eu saindo de cima dele, ele pós-se de pé e continuou a falar, matei pois matei, assim como te deveria ter matado a ti naquela noite, não sei como escapas-te, mas não tenhas pena da tua querida filha ela era igual a ti, metia-me nojo, quando terminou a frase baixou-se para procurar sua roupa. Pois Afonso, fato e gravata, bom carro, boa casa, uma nova mulher, mas sabes que mais? continuas o mesmo porco. Ele levantou-se e disse Sara acaba com esta merda a minha roup... não teve tempo para acabar a frase, eu chamei-o, Afonso, ele calou-se olhou na minha direcção, já tinha pegado na arma, e disparei sem pensar, uma duas, e tez vezes, ate ter a certeza que ele estava morto, Afonso sonha com os anjos. Chamei uma ambulância, e fui directa contar tudo a policia. Estou presa a 10 anos, e estou quase a sair, não me importo de cá estar, mas quando sair vou ajudar crianças que como a minha filha sofrem todos os dias o que a minha filha sofreu, talvez um dia eu e tu Angélica possamos viver juntas, quando deus decidir. Enquanto isso resta-me recordar-te das poucas recordações que tenho tuas. E não permitir que morram mais "Angélicas". Um até já filha, da tua mãe que te ama muito.



publicado por Daniela às 18:59 link do post | comentar | favorito