Só um texto

Talvez, num futuro longínquo, ou até mais próximo do que aquilo que imaginamos, as pessoas terão sentimentos. Sentimentos profundos, enraizados e verdadeiros. Sentimentos que a mente não controla e que o coração obedece. Não falo só de amor. Falo de amizade. Falo de tantos sentimentos e ao mesmo tempo de tão poucos porque pouca é a gente que os tem. É possível que nunca venha a acontecer, e provavelmente continuaremos assim, mas uma verdade é que, á medida que crescemos ficamos mais frios, mais sombrios, menos sentimentais e mais adultos. Quando crescemos deixamos de pensar com o coração... Deixamos de sentir aquela adrenalina no Natal... Deixamos para trás uma criança que, por pobre ou rica que fosse, e por muito que não o mostra-se, tinha sentimentos enraizados que nenhum adulto até á data conseguiu sentir, porque, quando somos adultos, há muitas regras, há muitos medos e, tantos ou tão poucos objectivos que talvez, sentir seja apenas uma perda de tempo. Mas em criança isso não é preocupação. Em criança poucas regras cumprimos e temos medo de quebrar. Temos fogo na alma que, somente é extinto com a seriedade dos adultos. Temostantas razões de viver, tanto para aprender e, por esse motivo, o de sermos mais novos, não nos importamos quando alguém nos dá uma lição. No entanto já os adultos de outrora enraizaram nos nossos pais e avós que, os mais novos não ensinam apenas aprendem, e por tanto não damos nunca o braço a torcer quando a ideia é de uma criança ou pessoa mais nova. Esse orgulho vai-nos comendo por dentro, deixando por fora, um ser extremamente perfeccionista e orgulhoso, um ser que deixou de ser humano e passou a ser algo, mas algo vazio, algo que diz sentir com o coração mas que apenas pensa que sente, algo que diz ser forte de carácter, mas que esse tal "carácter" já foi moldado de tal maneira essa pessoa se tornar apenas mais uma. Vivemos numa sociedade que não permite a mudança, que não permite a diferença. Vivemos numa sociedade cada vez mais robotica, cada vez mais perfeita e cada vez menos humana. Já desde há muito tempo que se ouve dizer: "O ser humano não é perfeito" mas, se realmente acreditamos nisso, porque rotulamos o "perfeito" como sendo algo alcançável e possivel? Porque o rotulamos como sendo algo humano? Se alguém pensasse nestas questões então aí sim, viveriamos entre humanos, viveriamos todos numa sociedade igual porque está esteriotipado que o "perfeito" é ser branco, é ser magro, é ter o cabelo comprido, é ter os olhos claros, é nunca dar erros, é ser-se bom em tudo, é ter tudo. Por essas e por outras é que as medidas "certas" dos designers são as que são, e todos os outros tmeos medo de alterar esses parámetros e meter raparigas de 1,60 a desfilar e raparigas que pesam 70k á frente das cámaras. Agora fechem os olhos e olhem em redor. Pensem como seria o mundo se as raparigas "humanas" fossem as modelos, e se nós mulheres fossemos o género dominante, se as pessoas escurinhas fossem os racistas dominantes. Mudava alguma coisa? Teria alguma diferença no mundo? Não, não teria porque haveriam as mesmas guerras, haveriam as mesmas diferenças sociais haveria tudo de igual ma sao contrario. Por isso termos como "perfeito" são inalcançaveis. Por isso, em adultos, sentimo-nos numa jaula que queremos que os mais novos sintam. Por isso vivemos numa sociedade de pernas para o ar, na qual tudo de bom tem que ser de uma maneira.

 

 

publicado por Daniela às 19:45 link do post | comentar | favorito